segunda-feira, 9 de março de 2009

Outras curiosidades sobre o Banco Mundial

O Banco Mundial tem comprometimento de alimentar as reformas multissetoriais, desenvolver estratégias de assistência na implementação de reformas subjacentes à educação e as taxas dos usuários.

A política preconizada pelo referido Banco tem como prioridade a educação primária, alegando que o custo é menor que a educação secundária ou superior por isso sugere reformas e privatizações nesses níveis mais dispendiosos. Este organismo financeiro propôs que a administração dos recursos da educação seja descentralizada, isto é, que os fundos sejam administrados principalmente pelas instituições escolares, atribuindo uma responsabilidade ímpar à gestão e aos professores no que se refere a qualidade do ensino. Pode-se comprovar esse dado com o dizer de Haddad: “a educação deve ser avaliada com base no desempenho dos professores em fornecer o mais eficiente serviço aos seus clientes”.
O Banco Mundial se configura, nos últimos anos no organismo com maior representação no panorama educativo global, além de compartilhar no aspecto do financiamento, transformou-se na principal agência de assistência técnica em matéria de educação para os países em desenvolvimento, a partir de propostas articuladas em função da melhoria do acesso, a eqüidade e a qualidade dos sistemas escolares, prioritariamente do ensino de primeiro grau.
Os países em desenvolvimento recebem atenção especial do Banco Mundial por conceber a educação básica como instrumento que proporciona o aprimoramento de conhecimentos, habilidades e as atitudes essenciais ao cidadão para viver em sociedade com atributos de competências em áreas gerais tais como: habilidades verbais, da tecnologia da informação e a capacidade para a resolução de problemas.
No âmbito curricular e pedagógico os economistas e técnicas do Banco Mundial evidenciam uma certa fragilidade neste segmento, manifestam uma visão estrita de educação como “conteúdos a serem transmitidos e a aprendizagem como informações a serem assimiladas”; correspondendo ao ideário da concepção bancária da educação e associa “qualidade da educação” como “rendimento escolar”. Tais desencontros provêm da falta de experiências dos servidores do Banco Mundial que tem limitado conhecimento sobre esses temas e a pouca participação dos especialistas do próprio Banco Mundial nas tomadas de decisões e configuração final dos documentos. Em suma, é uma política que dar pouca importância à pedagogia. Dessa forma suprime os valores congregados às concepções sobre ensinar e aprender, das práticas e dos saberes docentes necessários ao desenvolvimento das atividades em sala de aula.
Um outro aspecto contraditório em relação ao ideário do Banco Mundial é priorizar a formação em serviço enquadrando esta como mais efetiva que a formação inicial: embora sem notoriedade, pois esta instrumentaliza o professor para o domínio do saber convergente à sua formação e naturalmente a seu desempenho docente.
O Banco Mundial defende a importância da constituição das alianças e consenso social nos discursos nacional e internacional. No entanto, sua relação com os governos e a negociação dos empréstimos destinados à reforma do sistema educativo não condiz a esses postulados. Costumeiramente as políticas e os projetos financiados pelo Banco Mundial nos países em desenvolvimento são discutidos e negociados de forma hermética, convergente a determinações sem discussão, participação ou busca de consenso social. Assim, conforme a concepção de Rosa Maria Torres em seu artigo: Melhorar qualidade da educação básica? As estratégias do Banco Mundial a “transparência” e a “prestação de contas” que o Banco Mundial aconselha aos governos e aos sistemas escolares como características de uma gestão educativa moderna e eficiente não são colocadas em prática em seus próprios estilos de gestão.
O Bando Mundial argumenta que a reforma educativa que a propõe está ao alcance dos países em desenvolvimento, porém as medidas necessárias “geralmente não são tomadas devido aos padrões vigentes de gasto e gestão educativa e aos interesses criados vinculados aos mesmos” (BM, 1995: XV, apud Torres). Em documento público e de ampla difusão mundial o principal obstáculo convergente à reforma não é econômico nem técnico, mas político e, finalmente, cultural.
Sem sombra de dúvida o Banco Mundial “é tudo menos um ator neutro, representante da racionalidade científica e da eficiência técnica”, conforme o entendimento de Torres no artigo supracitado.

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